Em memória de Sr. Teixeira Rodrigues | 2026

 Soube da partida do Sr. Teixeira Rodrigues.







Guardo dele a memória de uma pessoa muito querida, meiga, respeitada e amada por quem teve o privilégio de privar com ele. Era grande amigo dos meus avós e também dos meus pais. A minha mãe conhecia-o desde os 11 anos, quando foi para a Holanda, o que mostra como esta ligação atravessou várias gerações e fases da nossa família.


A minha ligação a ele passa pela forte amizade entre as nossas famílias e também pela música. Marcou os anos em que éramos miúdos, em que estávamos com ele, com a Maria do Carmo e com os netos deles, o Nuno e a Inês. Fazíamos piqueniques, íamos à praia e partilhávamos momentos de convívio em Portugal que ficaram como memórias bonitas de infância e família.


Lembro-me também de, ainda muito pequeno, antes do meu irmão nascer, me darem uma guitarra e eu tentar tocar pela primeira vez. Olhei para a guitarra dele e percebi logo: “a minha não faz o mesmo som que a dele.” Hoje lembro-me disso com ternura e um sorriso.


Antes ainda do meu tempo, trabalhou na companhia aérea holandesa KLM. Há um registo especial num vídeo de apresentação da empresa, onde ele e a Maria do Carmo aparecem numa versão mais nova deles, de braço dado. É mais um fragmento de uma vida e de uma história que começou muito antes de mim.


Era músico, artista, homem de fado, de teatro e de palavra. Cantava fado, tocava guitarra, citava poemas e gostava de animar. Essa veia artística também estava presente na Maria do Carmo e na filha, a Ana Cristina, que também fizeram teatro. Atuou nas associações portuguesas em Amesterdão, incluindo nos Lusitanos, e também nas nossas casas, em noites de convívio onde a música, a amizade e a comunidade se juntavam naturalmente.


Há também registos dele na RTP, a cantar fado, e com os Cavaquinhos das Caldas da Rainha. Tudo ao vivo, sem as correções na voz que hoje são tão comuns. Era talento verdadeiro, presença e entrega. Mesmo mais tarde, no lar nas Caldas, ainda chegou a cantar fado e a declamar poemas.


Quando ele e a Maria do Carmo vieram definitivamente para Portugal, o meu avô Madaíl fez-lhes uma surpresa e apareceu no aeroporto. Há uma fotografia desse dia na casa deles — uma imagem de amizade, chegada e reencontro.


Também me custa imaginar o Sr. Teixeira sem a Maria do Carmo. Ela partiu em 2019, mas na minha memória continuam muito ligados. Ele cuidou dela com um amor e uma dedicação incríveis nos seus últimos anos de vida, com muito sacrifício também, mesmo quando a idade e a própria saúde já tornavam esse cuidado pesado demais.


Ficam as memórias, a gratidão e as saudades.


Muitas vezes o ouvi dizer que “o sonho comanda a vida”.

Hoje, a guitarra toca baixinho — e ficam a música, a amizade e a memória.


Que descanse em paz, meu grande amigo Teixeira.








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